Vende-se um sítio

Vende-se um sítio

O dono de um pequeno sítio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o Senhor bem conhece.
Pode redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:

"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer;
com extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeiro.
A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda".

Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
Nem penso nisso, disse o homem.
Quando li o anúncio e percebi a maravilha que tinha,
Desisti imediatamente de vender aquele paraíso!

Às vezes alguém chega para nós com a palavra certa,
com a observação adequada e nos muda o ângulo de vista,
nos faz quebrar os paradigmas e,
entendemos que certas coisas que tanto precisamos e achamos não ter,
estão bem do nosso lado...

Amar a vida e tudo o que nos cerca nunca é demais!

Fonte: http://www.sitedoescritor.com.br/sitedoescritor_auto_ajuda_00032_anuncio_bilac.html

Guaritas: A caminho das Minas do Camaquã




A região das Minas do Camaquã é dotada de um patrimônio paisagístico de riqueza singular. Ao cruzar a estrada de acesso à Minas do Camaquã é possível observar uma série de feições geomorfológicas denominadas Guaritas, que contam uma história pouco conhecida sobre a evolução geológica da região.


As camadas de sedimentos inclinadas, típicas de ambientes fluviais e marinhos, recobertas por camadas horizontais de sedimentos de antigas dunas, sugerem a ocorrência de dois ciclos marcantes na história geológica da região: um período em que as águas do mar banhavam a atual área das Guaritas, seguido de um período influenciado pelo clima desértico.

Atualmente, as Guaritas compreendem belas feições geomorfológicas, com vários morros de aparência ruiniforme.


O aspecto ruiniforme é resultado da erosão diferencial, a qual é intensificada em zonas mais permeáveis, ou seja, nas fraturas das rochas que facilitam e orientam a erosão pluvial predominante e as alterações químicas e biológicas que também são intensificadas nessas zonas de fraturas.

As formas do relevo, caracterizadas por morros isolados esculpidos por processos erosivos, formou grutas e abrigos, utilizados como guaritas e casamatas e foi lugar para guarda e emboscadas durante a Revolução Farroupilha, daí advindo o nome “Pedras das Guaritas”.


A beleza exótica do lugar já serviu como cenário para o filme "Valsa para Bruno Stein". Atualmente a comunidade oferece passeios às pessoas que desejam conhecer e se integrar a esta natureza.

Dentre os morros das Guaritas, destaca-se uma sequência de falhas muito interessante: quatro elevações em forma de serrote, cuja primeira delas é o Morro da Cruz. (da direita para a esquerda).


Do alto do Morro da Cruz, é possível observar, além da bela paisagem natural do local, a infra-estrutura urbana da vila, com suas casinhas peculiares que pertenceram aos operários das minas, além da represa do Arroio João Dias e as ruínas dos edifícios que foram construídos para o beneficiamento de minério.

O acesso ao Morro da Cruz é relativamente fácil, mas exige certo esforço físico. Da base do morro, onde existe uma exuberante área coberta de mata nativa, até o topo, o caminho apresenta uma beleza particular magnífica.



Algumas espécies como as cactáceas, restritas da região, são facilmente encontradas no percurso ao topo do Morro da Cruz, além de flores típicas da área de transição de relevo e vegetação em que se encontra Minas do Camaquã.
    


  
Entre o Morro da Cruz e o Morro do Engenho, escoam as águas do Arroio João Dias que, durante o verão, é utilizado para o lazer, em um ambiente de areias claras, agradável e arborizado.

A atividade mineradora

As características geológicas e geomorfológicas trouxeram a localidade uma grande disponibilidade de reservas minerais. Neste sentido, se pode afirmar que as atividades de extração de minérios foram significativas para a formação socio-espacial da região, tornando-a um marco histórico da mineração de cobre no Brasil. O ouro e a prata e seus subprodutos também foram encontrados numa disponibilidade mais restrita.

A disponibilidade destes minérios atraiu investidores estrangeiros, tais como os ingleses e os belgas, que exploraram os flancos leste e oeste, respectivamente, do Cerro João Dias.

Atualmente desativas, estas galerias retratam as marcas do passado de exploração. 

Galeria dos Ingleses, de exploração a céu aberto, apresenta a formação de um lago artificial, sendo ainda muito visitada por geólogos e demais cientistas em aulas práticas para observações  de processos de mineralização e de diversas falhas e fraturas expostas nos materiais rochosos.



Galeria dos Belgas, de exploração subterrânea, que atingiu mais de 100m abaixo da cota mais alta do cerro da mina, apresenta-se como um bom referencial físico para observar e compreender a exploração mineral subterrânea.

As estruturas que ali permanecem concretizarem um marco histórico nacional da exploração do cobre, apresentando sítios metalogenético, estratigráfico e paleoambiental, que são referências como laboratório permanente para estudos no campo de geociências. (PAIM, 2002).


Foram as extrações minerais, a partir de 1865, que movimentaram a formação e estruturação de vilas nos arredores das minas, que dispunham de uma infraestrutura organizada aos trabalhadores e suas famílias. Hoje em dia, estas vilas compõem um distrito dentro município de Caçapava do Sul (RS), denominado Minas do Camaquã.

Infraestrutura urbana da vila


As vilas que compõe o complexo Minas do Camaquã desenvolveram-se a partir de 1865, em decorrência da descoberta de jazida de cobre. No auge da atividade mineradora este complexo possuía uma das estruturas melhor organizadas da época, chegando a residir 5 mil moradores, todavia, atualmente grande parte desta estrutura permanece abandonada desde o fechamento da mina, residindo aproximadamente 500 pessoas. Ressalta-se que o padrão arquitetônico e a disposição dos espaços é característico de empreendimentos industriais, em que a estrutura funcional é planejada considerando a necessidade de equipamentos de uso social básicos.


 O setor residencial compreende habitações com padrões diversos, de simples alojamentos para a classe trabalhadora operária à residências sofisticadas, que abrigavam administradores, geólogos e engenheiros.

    
Esta diferenciação nas estruturas das residências evidencia as relações de poder instituídas no trabalho das minas. Próximo às minas e na área mais alta do terreno, situam-se as melhores habitações, destacando-se as casas construídas pelo industrial Júlio Pignatari, com base de pedra e pavimento superior em madeira.


O prédio do antigo Cine Rodeio, construído em 1970, apresenta um padrão arquitetônico diferenciado das demais edificações, sendo inspirado nos filmes de "velho oeste". Constitui-se de um grande galpão cuja fachada possui frontão em madeira, trabalhado com adornos característicos do faroeste americano. O acesso principal é feito por porta vaivém lembrando os saloons.



A conformação espacial da localidade mantém a maioria das estruturas arquitetônicas do período próspero da exploração de cobre, a exemplo da Igreja Católica localizada no centro da Vila São Luiz. Atualmente, da mesma forma que outrora, a Igreja exerce um papel relevante na dinâmica social da comunidade, promovendo manifestações culturais e atuando como agente integrador das famílias de Minas do Camaquã.
A religião católica é tomada como oficial nas Minas do Camaquã, onde a população local ainda é devota de Santa Barbara (Santa protetora de tal categoria de trabalhadores), a qual oferecem suas conquistas. Anualmente, no primeiro domingo de dezembro, é realizada uma festa, em homenagem a Santa Bárbara.



Em relação aos serviços de saúde oferecidos na localidade, destaca-se o antigo Hospital Júlio Pignatari. Esta instalação possuía 20 leitos, bloco cirúrgico, sala de operações e Raio X, o que tornava o atendimento de qualidade e eficiente, por se tratar de uma comunidade afastada do centro administrativo do município. Atualmente, parte do prédio é utilizada como Posto de Saúde, e instalações de Correios.



A Casa de Pedras, uma das edificações mais antigas na localidade das Minas do Camaquã,  foi erguida por escravos, em 1880. Na década de 1970, tornou-se o Centro de Tradições Gauchas – CTG Ronda Crioula, onde atualmente ocorrem bailes e atividades que cultuam as tradições gauchas.



Uma das edificações que mais se destaca na localidade, por sua imponência, inicialmente foi sede da Fazenda João Dias, e posteriormente tornou-se o Clube dos Engenheiros, local de confraternização entre os funcionários (somente aqueles graduados, tais como: engenheiros, geólogos, técnicos, gerentes, dentre outros). Em meados do século XX, os operários fundaram o Clube Campestre, onde toda e qualquer pessoa de bom comportamento poderia freqüentar.


No período da atividade mineira, o beneficiamento de minério era realizado em usinas, tais como aquelas instaladas na localidade da Pedra do Engenho, onde formou-se uma das áreas de ocupação mais antiga nas Minas do Camaquã. As usinas foram construídas pela companhia belga “Societé Anonime des Mines de Cuivre de Camaquan” na primeira década do século XX. Esta usina de beneficiamento, em meados da década de 1970, chegou a processar 1.500 toneladas de minério diariamente. O minério era retirado da “boca” das minas, e transportado até a usina, por meio de ferrovias. Daí em diante seguia por caminhões até o Porto de Rio Grande.

Referências

PAIM, P. S. G.; FALLGATTER, C.; SILVEIRA, A. S.  Guaritas do Camaquã, RS: Exuberante cenário com formações geológicas de grande interesse didático e turístico. In: WINGE, M.; SCHOBBENHAUS, C.; SOUZA, C. R. G.; FERNANDES, A .C .S.; BERBERT-BORN, M.; SALLUN FILHO, W.; QUEIROZ, E. T. (Edit.) Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil. Brasília, 2010. Disponível em: <http://www.unb.br/ig/sigep/sitio076/sitio076.pdf.> Acesso em 30 de agosto de 2010.

PAIM, P. S. G. Minas do Camaquã, RS: Marco da mineração do cobre no Brasil. In: SCHOBBENHAUS, C.; CAMPOS, D. A.; QUEIROZ, E. T.; WINGE, M.; BERBERT-BORN, M. L .C. (Edit.) 2002. Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil. DNPM/CPRM - Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP) - Brasília 2002. Disponível em: <http://vsites.unb.br/ig/sigep/sitio064/sitio064.pdf.>. Acesso em 30 de agosto de 2010.

SILVA, R. M. Espaço e tempo nas Minas do Camaquã em Caçapava do Sul/RS. 2008. Dissertação (Mestre em Geografia) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2008.

STRÖBER, Eneida Ripoil. Vila Minas do Camaquã: uma visão da arquitetura. Disponível em: <http://www.unisinos.br/graduacao/bacharelado/geologia/minas_camaqua/cap02.pdf>. Acesso em 23 de outubro de 2010.

Localização

Minas do Camaquã é um distrito pertencente a Caçapava do Sul, localizado na região central do estado do Rio Grande do Sul, distante aproximadamente 300 km da capital Porto Alegre e 165 km de Santa Maria.


Mapa de Localização


O acesso vindo de Porto Alegre se dá pela BR 290 no sentido leste-oeste (aprox. 220 km), após pela BR 153 (aprox. 50 km) e por fim pela RST 625 (aprox. 30 km).
De Santa Maria, o acesso se dá pela BR 392 no sentido norte-sul (aprox. 110 km), seguindo pela BR 153 (aprox. 25 km), e por fim pela RST 625 (aprox. 30 km).